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Convidada da Semana Gabriela Amarello

Nessa semana eu recebo minha amiga Gabriela Amarello.

Ela foi namorada do meu irmão ha muito tempo atrás, e desde o primeiro momento nos gostamos muito.
Os anos passaram, o namoro acabou e nossa amizade se fortaleceu.
Quando eu estava esperando a Bia, nos aproximamos muito, e hoje em dia dividimos muitos momentos das nossas vidas pós maternidade, senão todos rsrsrsrs

Amiga, seja muito bem vinda. Que esse seja o 1º de muitos posts!



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Há dias estou para escrever algo para o blog da minha querida amiga Rachel,
um dia já fomos cunhadas, mas então acabaram as festas, e chegaram as
filhotas, junto com elas uma série de coisas pras quais com certeza não
estávamos preparadas, a não ser o coração cheio de amor e uma vontade
enorme de que tudo desse certo.

Lembro até hoje o dia que cheguei em casa com a Alice, feliz demais por me
ver livre do hospital e seus corredores cheios de choro e mães cansadas, desesperadas como eu para por os pés no seu território, esperando que assim tudo ficasse mais fácil... O que é um engano, a gente logo percebe, porque no hospital você ainda pode tocar a campainha, e que em casa muitas vezes não há a quem recorrer, lá pela segunda hora consecutiva embalando seu lindo bebê que não se acalma e nem dorme...

De fato pensei que iria enlouquecer, as poucas horas de sono, e todas outras coisas para dar conta, parte de um mundo que os homens por melhores pais que sejam, vivenciam de maneira totalmente diversa da nossa, mulheres. Você está na sua casa, no quarto que
organizou, com tudo que você planejou para receber bem seu filho, e tudo que
você deseja e pede aos céus é ser uma boa mãe. É quase um mantra que toca
sem cessar no plano de fundo da sua mente "quero ser uma boa mãe, quero
ser uma boa mãe (...)"

Então se vê despreparada, você que passou meses planejando e organizando,
juntando dinheiro, buscando as melhores condições de pré-natal e parto, que
se ocupou em lavar cada roupinha, em conferir cada item, enfim se descobre
incapaz de fazer dar certo o principal: como vou cuidar bem do meu filho, e
ainda me sentir bem e com energia? Porque sim, cada vez que um dia é um
sucesso, mais como um trapo humano você se sente, cansada, quebrada
e sem paciência, e se pergunta porquê diabos não existe um curso sobre
amamentação nos hospitais que se dizem ser uma referência em termos de
maternidade (ao menos na minha cidade, não estou generalizando). Mamada
por livre demanda ou com horários certos? Dar mama sempre que acorda de
madrugada ou tentar acalmar a criança até ter certeza de é realmente fome,
e se for fome como fazê-la ingerir mais leite durante o dia para que pare de
despertar a noite? Boquiaberta descobri que minha mãe nem lembrava mais
como havia decidido essas coisas comigo e com meu irmão quando bebês...

Fui atrás de livros, um deles se tornou meu queridinho, A Encantadora de
Bebês (quel, pega o link dele dps pra mim, ok?), tudo para saber o básico:
crianças precisam de rotina, bebês sabem muito pouco sobre si mesmos para
decidirem por este ou aquele comportamento, é preciso sim antes de mais
nada querer ser um ser humano melhor, para ser uma boa mãe. É preciso ser
o exemplo, é preciso controlar as próprias emoções exaustivamente, até que
se torne um comportamento natural, hoje muito tempo depois das mamadas,
e noites curtas, Alice está com 18 meses, as dificuldades não cessam, nunca
deixei de me sentir despreparada inúmeras vezes ao dia com ela, agora

são as birras, os testes de autoridade, as diversas tentativas de mudar o
comportamento para conseguir o que se quer, e quando você pensa crer que
tudo está ajustado, lá vai a criaturinha e muda toda lógica de novo.

Não é fácil ser uma boa mãe, e acredito que ser uma boa mãe incluem todos
momentos que você não consegue sê-lo, em que cansada, consegue sentar
uns minutos, e mesmo supostamente descansando está pensando em contas,
horários e tarefas, e naquele suposto relaxamento de cinco minutos, sua filha
vira a tigela de comida do gato enquanto diz, com um sorriso nos lábios "arte"...

E você começa a pensar que tudo está perdido, onde foi que errei, por que
ela fez isso comigo, etc etc. E a verdade é que você não errou, afinal ela
já sabe que aquilo é uma arte, uma coisa que não deveria estar fazendo, é
um passo além de fazer por fazer, talvez seja hora de levantar do suposto
descanso, dizer para ela que aquilo realmente é uma arte, que você não
gostou, e colocá-la na cadeirinha um pouco (todos os pais sabem que crianças
pequenas detestam se sentirem presas quando recém descobriram a liberdade
de caminhar) para que assim ela comece a entender que é isto que se recebe
quando se vira a tigela de ração do gato: não um grito, ou uma mãe irada, mas
simplesmente ser tolhida de se movimentar por alguns minutos, não se recebe
aplausos por derrubar comida, quebrar coisas, bater na cabeça do primo, puxar
o rabo do cachorro, ou cuspir, é só pensar que você se recusa a ficar perto de
um adulto que maltrate animais, crianças, que cuspa no chão ou desperdice
comida. Se você não quer ter adultos assim, não crie filhos assim, não criem
filhos que de tanto gritar acabem recebendo o controle remoto da televisão
ou o seu celular, porque afinal de contas quem é que consegue um celular
nessa vida com gritos, além do assaltante? E quem é que consegue escolher
qual programa ver aos berros? É mais fácil que esse gritão acabe morando e vivendo sozinho, já que as pessoas tem poder de decidir com quem querem passar seu tempo.

E eu sei que não é fácil estar disposto o tempo todo para todas essas
oportunidades de transgressão e comportamento dos filhos da gente, sei que cada um tem seu próprio universo psicológico e emocional, e que às vezes não estamos bem mesmo, estamos estressados, gemendo por um minuto de total e eterna paz dentro de casa, e que pensamos "ah, deixa ela puxar o rabo do cachorro só dessa vez, na próxima eu saio do meu mundo e vejo o que fazer",
e é totalmente humano e compreensível, e até aceitável se sentir assim, e agir assim em alguns momentos, só não podemos esquecer que crianças aprendem por repetição, e que cada vez que deixamos algo passar equivale a mais quatro ou cinco situações iguais até que hajamos sem cessar. Uma maneira de evitar nãos é escolher ao que a criança terá acesso em casa, evitar momentos de estresse entre pais e filhos é também proteger a casa, reestruturar armários, rever lugares de louças e produtos de limpeza, higiene e
ferramentas, mas jamais tirar tudo que pode ser motivo de discórdia do
alcance, deixe pelo menos aquilo que não é perigoso, como um espaço do
armário da cozinha que só contém potes, ou os controles remotos, porque
afinal de contas existe um mundo fora de casa, e lá naquela visita fora de casa
seu filho não estará sempre protegido de tentações, é melhor lhe ensinar
alguns limites inofensivos em risco, mas fundamentais para um bom
comportamento como futuro adulto.

Despreparados ou não, sempre podemos ser bons pais, boas mães, acho que
basta manter aquele amor gigante no coração e aquela vontade imensa de que
tudo dê certo.

Por Gabriela Amarello, mãe de Alice